Audi ressuscita o Auto Union Lucca: o carro que bateu recordes a quase 327 km/h na guerra tecnológica com a Mercedes
Notícias
11/05/2026
A Audi recuperou um dos automóveis mais obscuros e fascinantes da sua história. O Auto Union Lucca, carro de recordes da década de 1930, foi reconstruído artesanalmente mais de nove décadas depois de ter entrado para a história da velocidade.
Segundo o ‘El Economista’, a marca alemã apresentou o modelo na cidade italiana de Lucca, precisamente o local onde, a 15 de fevereiro de 1935, o piloto Hans Stuck atingiu uma velocidade média de 320,267 km/h na milha lançada e chegou a uma velocidade máxima de 326,975 km/h.
Na época, o feito transformou o Auto Union Lucca no carro de corrida de estrada mais rápido do mundo.
A batalha da velocidade com a Mercedes
A história do Auto Union Lucca nasce numa década marcada pela obsessão pelos recordes de velocidade. Nos anos 30, Mercedes e Auto Union disputavam uma rivalidade tecnológica feroz, em que cada novo máximo tinha impacto desportivo, industrial e político.
De um lado estavam Rudolf Caracciola e Manfred von Brauchitsch, ao volante dos Mercedes. Do outro, Hans Stuck e Bernd Rosemeyer, representantes da Auto Union, marca criada em 1932 a partir da fusão da Audi, DKW, Horch e Wanderer.
A diferença entre os dois projetos era profunda. A Mercedes apostava no motor dianteiro, enquanto a Auto Union seguia um caminho revolucionário para a época: um monoposto de motor central.
Em outubro de 1934, Caracciola atingiu 316,592 km/h na Hungria com um Mercedes desenhado para bater recordes. A resposta da Auto Union não tardou.
Um carro afinado em túnel de vento
Durante o inverno de 1934, os engenheiros da Auto Union desenvolveram um carro radical, pensado para derrotar a Mercedes na corrida pela velocidade máxima.
A equipa recorreu ao túnel de vento do Instituto de Pesquisa Aeronáutica de Berlin-Adlershof para melhorar a aerodinâmica. Primeiro foi testada uma versão aberta. Depois, uma carroçaria fechada, muito mais eficiente.
O resultado foi uma silhueta muito avançada para a época. A carroçaria era polida e envernizada, as rodas tinham coberturas aerodinâmicas e a traseira terminava numa longa barbatana. A imprensa chamou-lhe Rennlimousine, uma expressão usada para descrever uma espécie de ‘limousine de corrida’.
Debaixo da carroçaria estava um motor V16 de quase cinco litros, com 343 cv, associado ao chassis de competição de 1934. Mais tarde, a potência ultrapassaria os 375 cv, mas esta primeira evolução foi suficiente para mudar a história.
O recorde nasceu em Itália
O carro ficou concluído em dezembro de 1934, em Zwickau. Depois dos primeiros testes no circuito de Avus, em Berlim, a Auto Union tentou regressar à Hungria, onde a Mercedes tinha brilhado meses antes.
O mau tempo estragou os planos. A neve e o frio obrigaram a equipa a procurar uma alternativa no sul da Europa. Depois de uma tentativa falhada perto de Milão, a solução surgiu num troço de estrada entre Pescia e Altopascio, perto de Lucca.
A estrada era praticamente ideal: reta, plana e com asfalto de elevada aderência.
Os testes começaram a 14 de fevereiro de 1935. No dia seguinte, pelas nove da manhã, Hans Stuck voltou à estrada italiana perante milhares de pessoas que tinham ouvido rumores sobre uma possível tentativa de recorde.
A Auto Union vedou parcialmente a grelha do radiador para melhorar a penetração aerodinâmica. A decisão resultou. O carro atingiu 320,267 km/h de média na milha lançada e uma velocidade máxima de 326,975 km/h.
O impacto foi imediato. Enquanto o feito era celebrado em Itália, a Auto Union mostrava no Salão Automóvel de Berlim uma versão praticamente idêntica do carro, com uma mensagem direta: era o carro de corrida de estrada mais rápido do mundo.
Reconstrução demorou mais de três anos
A reconstrução do Auto Union Lucca demorou mais de três anos. O projeto foi entregue à empresa britânica Crosthwaite & Gardiner, que trabalhou a partir de fotografias e documentos originais preservados nos arquivos da Audi.
Todos os componentes foram fabricados artesanalmente. A carroçaria aerodinâmica, incluindo a cobertura do cockpit e a traseira afilada, exigiu um trabalho especialmente minucioso.
De acordo com o ‘El Economista’, a recriação ficou concluída no início de 2026 e já passou pelo túnel de vento da Audi, onde registou um coeficiente de arrasto de 0,43.
A Audi Tradition utilizou um motor V16 do Auto Union Type C e integrou algumas soluções técnicas desenvolvidas mais tarde para a corrida de Avus de 1935, incluindo melhorias na ventilação para evitar problemas térmicos nas demonstrações atuais.
De Lucca para Goodwood
Depois da estreia oficial em Lucca, 91 anos após o recorde original, o Auto Union Lucca seguirá para o Festival de Velocidade de Goodwood, marcado para 9 a 12 de julho.
Será o regresso público de uma das máquinas mais extremas já associadas à Auto Union: um carro criado para vencer a batalha tecnológica contra a Mercedes e que acabou por se tornar um dos grandes símbolos da engenharia alemã antes da Segunda Guerra Mundial.
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